Pedro Paulo pede investigação da Polícia Federal sobre suposto uso político da Polícia Civil do Rio

Parlamentares pedem reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e com a direção da Polícia Federal para apurar possível uso político da Polícia Civil do estado

A prisão do vereador Salvino Oliveira, da Cidade de Deus, desencadeou uma forte reação política no estado do Rio de Janeiro e aprofundou a tensão entre grupos influentes da política fluminense.

O presidente regional do Partido Social Democrático (PSD), o deputado federal Pedro Paulo Carvalho Teixeira, solicitou com pedido de urgência uma reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O pedido também conta com a assinatura dos deputados federais Laura Carneiro e Renan Ferreirinha, além do deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha.

O grupo quer que a Polícia Federal investigue um suposto uso político da Polícia Civil do Rio de Janeiro nas investigações que resultaram na prisão do vereador.

Parlamentares questionam investigação

Os parlamentares afirmam estar convencidos de que houve manipulação do aparato policial com objetivos eleitorais, tese que, segundo eles, precisa ser apurada por órgãos federais.

Além disso, os deputados alegam que as acusações que apontariam uma suposta proximidade de Salvino Oliveira com traficantes ligados ao Comando Vermelho seriam inconsistentes.

Em declaração pública, Pedro Paulo criticou duramente a situação.

“É inadmissível o uso político da polícia. Isto é grave e intolerável”, afirmou o deputado.

Ruptura política no estado

O episódio também provocou um rompimento político significativo entre o grupo liderado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o governo estadual comandado por Cláudio Castro, cuja sede administrativa é o Palácio Guanabara.

Segundo interlocutores do PSD, a relação política entre os dois grupos teria sido interrompida, sem canais de diálogo ativos no momento.

A crise surge em meio ao debate sobre as regras para uma possível eleição indireta para governador, tema que já foi judicializado pelo PSD após a aprovação de uma lei na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Clima de confronto político

Nos bastidores, aliados de Eduardo Paes indicam que pretendem dificultar projetos políticos ligados ao governo estadual na Assembleia e em outras frentes institucionais.

Analistas avaliam que o episódio pode antecipar um confronto político mais direto entre os dois principais grupos da política fluminense, disputa que já era esperada para ocorrer durante o processo eleitoral no estado.

Com a escalada da crise, a tendência é que as tensões se intensifiquem nos próximos dias, com novos desdobramentos tanto no campo político quanto no jurídico.