Secretário do Rio relata perseguição com fuzis na RJ-106: “Não tive dúvida de que era o alvo”

João Pires descreve ação violenta, fuga em alta velocidade e revela histórico de ameaças; Polícia Civil investiga o caso como tentativa de roubo

O secretário municipal de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, João Pires, afirmou não ter dúvidas de que foi o alvo de uma ação criminosa registrada na noite de segunda-feira (16), na RJ-106. Em depoimento detalhado prestado nesta terça-feira, ele descreveu momentos de tensão ao ser perseguido por homens armados que chegaram a apontar fuzis diretamente para seu veículo.

“Não tinha dúvida de que o alvo era eu. Não era o único carro, a pista estava movimentada”, declarou.

Abordagem armada e reação imediata

Aos 27 anos, o secretário contou que dirigia sozinho em um carro blindado quando percebeu a aproximação suspeita de outro veículo. A ação, segundo ele, foi rápida e agressiva.

“Um carro emparelha com o meu, abre as duas portas do lado do carona e apontam dois fuzis para o meu carro. A primeira reação que tive, por estar num carro blindado, foi acelerar.”

A decisão deu início a uma perseguição que se estendeu por cerca de dois quilômetros, em meio ao tráfego da rodovia.

Fuga, tentativa de proteção e colisão

Durante a fuga, João Pires relatou que avistou uma viatura policial, o que o levou a tentar uma manobra para escapar dos criminosos.

“Assim que vi uma viatura, joguei o carro para dentro do posto de gasolina, na tentativa de despistá-los. Me senti mais seguro pela proximidade com a polícia, mas acabei colidindo com um carro estacionado.”

Apesar do impacto e do susto, o secretário não sofreu ferimentos graves.

“Espero que tenha sido tentativa de assalto”

Mesmo convencido de que foi diretamente visado, Pires evitou, por ora, classificar o episódio como atentado.

“Espero eu que seja uma tentativa de assalto. Espero eu, minha família e todos que gostam de mim. Mas é papel da Polícia Civil investigar esse caso.”

Ameaças anteriores e contexto da atuação

O secretário revelou ainda que já vinha recebendo ameaças consideradas “veladas” e “simbólicas”, possivelmente ligadas à sua atuação à frente da pasta, especialmente no combate a irregularidades no setor de combustíveis.

Durante agenda pública, o prefeito Eduardo Paes mencionou que João Pires utiliza carro blindado justamente por conta dessas intimidações recorrentes.

Investigação em andamento

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro trata o caso, inicialmente, como tentativa de roubo. De acordo com o depoimento, quatro homens armados participaram da ação.

As diligências seguem em andamento para identificar os suspeitos e esclarecer as circunstâncias da perseguição, que levanta questionamentos sobre segurança e possíveis motivações por trás do crime.