Chuvas voltam a causar transtornos em cidades como Cabo Frio e São Pedro da Aldeia, reacendendo debate sobre infraestrutura urbana
As fortes chuvas que atingem municípios da Região dos Lagos desde o início de março voltaram a expor fragilidades na infraestrutura urbana de diversas cidades. Rodovias e avenidas alagadas, ruas intransitáveis, pistas que cederam e buracos no asfalto foram registrados em locais como Cabo Frio e São Pedro da Aldeia.
Além dos transtornos para moradores e motoristas, os episódios reacenderam o debate sobre drenagem urbana, planejamento das cidades e capacidade de resposta das prefeituras diante de temporais. Em alguns pontos, a situação chegou a provocar protestos de moradores e bloqueios de vias importantes.
Enchentes voltam a atingir bairros de Cabo Frio
Em estado de atenção desde o início da semana, Cabo Frio registrou novos alagamentos na quinta-feira (12). No bairro Portinho, a chuva da madrugada fez a água subir rapidamente na Rua Coronel Ferreira, que margeia o Canal do Itajuru, invadindo novamente diversas residências.
No Jardim Excelsior, ruas também ficaram alagadas pela segunda vez em menos de uma semana. Um dos pontos mais afetados foi a Rua Roma, onde funciona a Escola Municipal Alfredo Castro. Diante da situação, a prefeitura suspendeu as aulas em toda a rede municipal para garantir a segurança de alunos e profissionais.
Outro bairro bastante atingido foi o Jardim Esperança. No local, o temporal provocou afundamento em um trecho da via próxima ao Hospital Otime Cardoso dos Santos, em frente à Escola Municipal Vereador Leaquim Schuindt. Técnicos da Enel precisaram ser acionados após um poste com transformador apresentar risco de queda.
No distrito de Tamoios, moradores voltaram a enfrentar invasão de água em casas que já haviam sido atingidas no início do mês.
O prefeito Serginho publicou vídeos nas redes sociais informando que máquinas pesadas foram mobilizadas em diversos pontos da cidade, realizando desobstrução de canais e limpeza de áreas críticas, como o Canal da Malhada, o valão da Estrada de São Jacinto e regiões do conjunto habitacional Minha Casa Minha Vida.
Também foram registradas ações com máquinas anfíbias no Canal da Pedra, no Rio Marimbondo e no Rio Gargoá, todos na região de Tamoios. Segundo o prefeito, quando as condições climáticas melhorarem, a prefeitura pretende iniciar obras de drenagem na Avenida da Independência e novas frentes de pavimentação.
Alagamentos e protestos em São Pedro da Aldeia
Em São Pedro da Aldeia, os bairros mais afetados pelas chuvas foram Campo Redondo e São João, ambos às margens da RJ-140.
No local, diversas ruas ficaram alagadas e centenas de casas e veículos foram atingidos pela água, pela segunda vez apenas neste mês. O alagamento também interrompeu o trânsito em um trecho da rodovia no sentido Cabo Frio x São Pedro, entre a altura do mercado Atacadão e as proximidades do supermercado Sempre Tem.
Revoltados com a situação, moradores organizaram um protesto e chegaram a atear fogo em pneus, reclamando da repetição dos problemas sempre que ocorrem chuvas mais intensas.
Para tentar reduzir o acúmulo de água, a prefeitura enviou máquinas e quebrou parte da mureta que divide as pistas da RJ-140, criando uma passagem para escoamento. No entanto, a medida acabou provocando novos transtornos: a água represada no bairro Campo Redondo passou a correr para o lado oposto da rodovia e invadiu o Condomínio Olga Diuana Zacharias, alagando residências que não haviam sido atingidas inicialmente.
Prefeitura convoca reunião para discutir soluções
Diante da repercussão, o prefeito Fábio do Pastel publicou um vídeo nas redes sociais convidando moradores para participar de uma reunião e discutir possíveis soluções para o problema.
“Quem puder nos ajudar, passando exatamente o que acha que deveria ter sido feito, vai ser muito importante. O trabalho unido ajuda mais pessoas”, afirmou.
Na terça-feira (10), o prefeito reuniu secretários municipais, vereadores e representantes da concessionária Prolagos para avaliar os impactos das chuvas e definir medidas emergenciais.
Entre as ações discutidas estão limpeza urbana, desobstrução e desassoreamento de bocas de lobo, além da solicitação de apoio do Governo do Estado para envio de maquinários, com o objetivo de ampliar o escoamento das águas pluviais e reduzir os impactos das chuvas na região.